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sexta-feira, julho 26, 2019

Fyre Festival: O poder de influência das redes sociais e o que tu não deves fazer no teu negócio

Lançada este ano pela Netflix, o documentário que conta a história – e o fracasso – do Fyre Festival, pode ser considerado um case study do que não devemos fazer na hora de investir num negócio, ou ainda, nos alertar sobre o poder das redes sociais na Era Digital.


Se tu nunca ouviste falar sobre esta história, nem viste alguma movimentação nas redes sociais em 2017 envolvendo o festival e supermodelos famosas, o documentário é uma óptima oportunidade de conheceres e entenderes os bastidores deste evento que, desde o início, demonstrou problemas de planeamento e gestão que já previam um possível fracasso.

Criado com o objetivo de promover o aplicativo “Fyre” (da empresa fundada por Billy McFarland), o festival foi apresentado ao público como um “evento musical de luxo” e chegou a ser comparado a outros festivais de relevância como Coachella ou até Burning Man.

Marcado para acontecer numa ilha particular, nas Bahamas, os bilhetes custavam entre US$ 5.000 e US$ 250.000, segundo uma reportagem da revista Rolling Stone. Os pacotes VIP incluíam passagens aéreas e aluguer de casas particulares de luxo na beira da praia. Além disso, Billy McFarland e o seu sócio, o rapper americano Ja Rule, ainda prometiam a presença de uma série de celebridades, comida gourmet e todo tipo de bebida à discrição.

Com o objectivo de atingir o público-alvo e atrair os Millennials – talvez a geração que mais sofre influência das redes sociais –, a publicidade do evento contou com fotos e vídeos que viralizaram na internet, onde modelos e influenciadores digitais como Kendall Jenner, Bella Hadid, Hailey Baldwin e até a brasileira Alessandra Ambrósio, que se divertiam numa ilha paradisíaca.

A falta de planeamento, a má gestão e a incapacidade em suprir a infraestrutura básica para a realização de um festival de grande porte – e grande expectativas – deixou cerca de 5.000 pessoas que pagaram por um festival de luxo numa situação lamentável, de esperas intermináveis no aeroporto à completa falta de estrutura, onde os participantes encontraram tendas de acampamento com colchões colocados no chão encharcados pela chuva, refeições que se limitavam a sanduíches com duas fatias de queijo, alface e tomate e malas jogadas num estacionamento sem iluminação.

McFarland foi condenado a seis anos de prisão por fraude e teve US$ 27,4 milhões em bens apreendidos pela polícia federal. Mas, o que podemos aprender ao assistir este documentário é que boa parte do fracasso deste evento poderia ter sido evitado se alguns pontos tivessem sido levados em conta:

1- Não invistas em algo duvidoso

McFarland tinha o dom de persuadir pessoas. Foi assim que ele conseguiu convencer muitos investidores a injetarem dinheiro num projeto onde nem ao menos as principais atrações dos shows tinham sido confirmadas. Entretanto, por mais “cool” que uma pessoa pareça ser, tu precisas de saber onde estás a investir o teu dinheiro e se realmente o projeto tem hipóteses de sair do papel e dar resultados. Em vários momentos, os investidores do festival foram bombardeados com notícias de que as coisas não estavam a correr bem e mesmo assim seguiram injetando dinheiro num evento que nunca aconteceu.

2- Trabalha com princípios e valores (ou abandona)

Na semana que antecedeu o festival, muitas falhas surgiram, dando indícios de que o melhor a fazer seria cancelar o evento e devolver o dinheiro dos bilhetes. Mesmo assim, Billy McFarland prosseguiu firme na sua decisão de fazer o Fyre Festival acontecer. A sua equipa já o tinha avisado dos riscos e não concordava com a sua postura, mas continuaram a trabalhar na entrega. Porém, fica nítido no documentário que, naquele momento, a decisão de ficar era de se colocar como cúmplice nesta fraude. Muitos prestadores de serviços abandonaram o projeto ao perceberem onde isto poderia chegar. Contudo, ainda existiram muitos que deixaram os seus princípios e valores de lado para continuarem obedecendo a uma liderança falhada e acabaram por ter os seus nomes manchados no mercado.

3- O poder de influência das redes sociais

Não é novidade para ninguém que hoje as redes sociais têm mais influência no comportamento das pessoas do que outros meios de comunicação. Para promover o Fyre Festival, uma agência de marketing digital foi contratada e fez um grandioso trabalho para conseguir viralizar o evento nas redes sociais através de influenciadores famosos. Mas da mesma forma que o Fyre Festival cresceu por meio delas, foi através das mesmas que ele morreu. Uma foto do lanche que estavam servindo no evento – um pão com queijo, tomate e alface – foi postada por um usuário no Twitter e atingiu mais de 3 mil pessoas na internet. Aos poucos, mais pessoas começaram a usar a rede para postar a real condição em que o evento tinha sido produzido, o que fez com que o fracasso do Fyre Festival viralizasse por toda a internet.

Sem dúvida, o documentário, além de ser uma óptima opção de entretenimento, pode ainda fazer-te reflectir sobre todas as atitudes que criaram repercuções na produção do evento.

domingo, setembro 20, 2015

'Till It Happens To You': Novo videoclipe de Lady Gaga retrata a realidade da violação que está a ocorrer nos dias de hoje

A Lady Gaga lança um single novo não irá parecer nada de novo ou emocionante. Mas, desta vez, ele é muito mais do que isso! Em Till It Happens To You, Gaga faz algo necessário e urgente: expõe a cultura da violação e traz à luz todas as etapas pelas quais as vítimas deste tipo de crime passam.


O videoclipe e a música foram disponibilizados para download no iTunes e Youtube nesta sexta-feira (19). O vídeo conta a história de quatro jovens que são abusadas sexualmente e mostra as dificuldades da superação e esquecimento da cena pela qual tiveram de confrontar.

Co-autora da letra com Diane Warren, Lady Gaga vai doar parte do lucro arrecadada com as vendas da canção para organizações de apoio a vítimas de abuso sexual.

O lançamento do vídeo coincide com o aniversário de um ano da campanha da Casa Branca, It's on us, que pretende consciencializar e incentivar a não silenciar casos de violência sexual.

Segundo uma pesquisa publicada pelo Journal of Adolescent Health, a agressão sexual em universidades alcançou 'níveis de epidemia'. Mais de 18% das estudantes de uma universidade dos Estados Unidos relataram incidentes de violação ou tentativas da mesma durante seu primeiro ano na instituição.

Til It Happens To You faz parte da banda sonora do documentário The Hunting Ground, de Kirby Dick, que se estreou no Festival de Sundance neste ano. O documentário faz luz a casos de abusos sexuais ocorridos em Campus de universidades nos Estados Unidos.

No ano passado, Lady Gaga revelou ter sido vítima de estupro quando tinha 19 anos. Durante uma entrevista ao programa de rádio  ao The Howard Stern Show, a cantora afirmou que foi violada por um produtor vinte anos mais velho do que ela.

“Atravessei por fases tão terríveis que hoje me sinto capaz de sorrir, graças às sessões de terapia que me ajudaram ao longo dos anos a superar o trauma sofrido. A minha música ajudou-me como um maravilhoso apoio terapêutico", disse.

E continuou: "Não era a mesma pessoa. Para falar a verdade,  eu na altura tinha 19 anos. Eu fui para a escola católica e, de repente, quando aconteceu toda esta história, continuei o meu caminho. Pensava: será que todos os adultos agem dessa forma? Eu era muito ingénua”.

Obrigada por não te silenciares, Gaga.

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