sábado, outubro 17, 2015

8 coisas que os Gays não suportam ouvir!

Provavelmente por causa do machismo inerente na nossa cultura, as pessoas sentem-se na liberdade de insistir nas mesmas ideias cansativas e preconceituosas. Os gays, certamente, sofrem menos com isso, mas mesmo assim há questões que são repetidas à exaustão quando as pessoas descobrem que se alguém é gay. Estas são algumas questões que me ocorrem. E tu, tens outras? Coloca nos comentários!



1. Quem é o homem e quem é a mulher? 

Esta é de longe a mais popular. Vem de toda uma cultura que ensina em que meninos gostam de azul, brincam com os carrinhos, jogam futebol e batem nos amigos, enquanto as meninas gostam de cor-de-rosa, brincam com as bonecas, fazem ballet e choram de medo de baratas. Dentro destas polaridades, um homem amar outro já é algo tão inconcebível que tem que ser ajustado rapidamente: uma das partes do casal TEM que ser o equivalente feminino para que esta relação faça sentido. E então resta-nos explicar pela milionésima vez que não é assim tão simples, que não existe necessariamente um macho e outro feminino, nem necessariamente um é passivo e outro é activo, e mesmo quando existem preferências sexuais, nem sempre corresponde que o “machão” é o activo. Se há uma vantagem de ser gay, é que estas limitações de papéis e funções todas podem ser postas em causa. Infelizmente existem também muitos gays machistas que insiste em estabelecer estes padrões, mas a isso irei discutir noutro post.

2. Como é que tu fazes para saber que o outro também é gay? 

É simples, é só olhar a tatuagem na cabeça que gays ganham quando perdem a virgindade. OK, não é assim. Na realidade, só aprendemos com a prática. Existem vários sinais de que outro homem é gay, desde os óbvios, como a forma de se vestir e de se comportar, até aquela troca de olhares subtil no ambiente de trabalho homofóbico. Nem sempre é simples. Razão pela qual existem bares e casas nocturnas gays: é bom de vez em quando estar num lugar em que o padrão é ser gay. Na dúvida, porque não optar pela forma mais directa e perguntar mesmo. 

3. Meu Deus, tu nem pareces gay

Quem diz isto geralmente está querendo fazer um elogio. Quem recebe este comentário geralmente entende como um elogio. Vamos parar com isto, por favor? Por que ser menos bicha é algo positivo? Quanto mais um homem se aproxima de um estereotipo de mulher pior para ele, é isso que tu queres dizer? Que bom que, apesar de tu gostares de homens, tu ainda mantens a aparência de um homem “de verdade”? Temos que deseducar as pessoas a acharem que esta frase é algo normal e positivo. Cada um age como quiser, que tal pararem com julgamentos?

4. Aff, que desperdício, tu seres gay. 

O comentário anterior é geralmente feito por homens, e este comentário aqui é normalmente feito por mulheres. Que também acham que estão a fazer um elogio. A lógica sendo que tu, gay, és tão bonito, tão educado, tão cheiroso, tão sensível, que eu iria querer-te para ela, mas tu não a queres. Querida, podes guardar este comentário para ti.

5. Tu és gay porque ainda não encontraste uma mulher que mostre o que é bom para ti. 

E esta é a versão FATALITY do comentário anterior. Este tipo de comentário poderá ser encarado com um nome que é homofobia. A mensagem que se retem pode ser: aquilo que tu fazes com os homens não é bom de verdade. Ou não é amor de verdade. Ou não é sexo de verdade. Seja o que for, é uma versão inferior daquela coisa tão maravilhosa que só acontece entre um homem e uma mulher. Quando tu deres conta disso, vais abandonar esta prática lamentável. Bem, minha querida, por este raciocínio, haveria uma hipótese de que uma mulher pudesse te mostrar algumas manobras e te converter da homossexualidade. Mas ao tentares irias ficar desiludida e ainda te habilitavas a ficar a segurar uma vela.

6. Eu gosto de gays, eu não gosto é de bichas

Mais um comentário recorrente daqueles que têm a homofobia incutida e, pior ainda, querem que tu ajudes a alimentá-la. É a mesma coisa que dizer “eu gosto de gays, desde que eles não sejam muito gays”. Ser gay é aceitável desde que tu sejas másculo. Vamos abrir então o jogo: ser bicha é que nem virgindade, não existe meio-termo, não dá para manter 4/5 da virgindade, não dá para ser só um pouquinho gay. No momento em que tu reconheces que gostas de alguém do mesmo sexo, a sua homossexualidade está lá inteira de presente e à tua espera. Os comportamentos não são nada mais que o papel de embrulho de um presente.

7. É preciso que ser muito macho para fazer o que vocês fazem. 

Muito da homofobia vem desta fixação que os héteros têm na maneira como os gays fazem sexo. Traduzindo os eufemismos: “dar o cu dói para caralho, não sei como vocês aceitam andar sempre a  fazer isso”. Nesta fase podemos subentender que essa pessoa já tentou comer alguns rabos na sua vida, e doeu muito para a dona do rabo em questão. Isto supondo que era uma dona. E isto supondo que o dono do rabo não era o próprio, claro. Bem, meu caro, com jeito, experiência e paciência, não há sofrimento. E se realmente causasse tanta dor, as pessoas procurariam outras alternativas que causassem menos – ninguém na sua perfeita consciência arranca uma unha, depois no dia seguinte arranca outra, e depois outra… Além do mais, sexo vaginal, que eu saiba, também não é garantia de sexo sem dor – quando mal feito, fica incómodo e até dolorido, e então as mulheres até fingem o  orgasmo para se livrar desta situação. Então aceita o que o sexo anal pode ser uma fonte de prazer. Quando bem feito por ambas as partes. Tu parece que ainda tens algumas coisas para aprender...

8. Eu até tenho amigos gays. 

Que porreiro que tu és, aceitando compartilhar a tua esplêndida convivência com essas criaturas infelizes que sofrem da homossexualidade, não é? As pessoas que dizem isto são aqueles que pretendem ser muito tolerantes. Desde que nenhum dos amigos gays saia com o filho dela. Se isso acontecer o tão fofinho amigo gay vai ser expulso do convívio social e o "filho gay" vai ser enviado para o psicólogo na esperança de “consertar esta situação”. Gays que se dão o respeito não precisam das migalhas da tua amizade.

1 comentário:

No Limite do Oceano disse...

Pois é e no fundo acabam por ser clichés

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